De volta aos gramados
(26/04/2005 - Marcos Augusto Gonçalves - Folha de São Paulo)
Depois de duas semanas fora do país, volto ao convívio com o velho e bom futebol, que mal pude acompanhar em andanças pela Turquia, a convite da Academia da Latinidade, para acompanhar uma conferência a respeito de disputas mais graves -como as que ao longo da história envolveram o mundo islâmico e o Ocidente. Mas vamos à bola.
Os cariocas, para a supresa de tantos, largaram muito bem no Brasileirão. Não quer dizer muito, tratando-se de uma competição tão árdua e longa, mas pelo menos no jogo a que assisti, o dos dois campeões estaduais, devo dizer que me causou muito boa impressão a equipe do Fluminense.
O campeão carioca fez valer a vantagem de jogar em casa e em nenhum momento se intimidou com o fato de enfrentar um dos times que a mídia vem apontando como integrante do grupo de favoritos ao título. O Fluminense jogou para vencer e venceu.
Quanto ao São Paulo, pareceu um pouco cansado, mas principalmente desprovido da motivação a mais que Leão imprimia ao time. Ou seja, não foi tão "cascudo" quanto precisaria ser.
Entro na polêmica sobre a geral do Maracanã. No que se refere à minha memória afetiva, considero uma lástima que o geraldino seja extinto. Diverti-me muito com as figuraças que freqüentavam aquele espaço, uma espécie de "sambódromo" improvisado do Maracanã, onde verdadeiros blocos desfilavam em fantasias que muito diziam sobre a histórica irreverência carioca.
O mundo, porém, mudou. E o Brasil também. Quando o Maracanã foi erguido, a televisão estava por ser inaugurada. Não havia "videoteipe". Aquele era o estádio monumental de um país que promoveria uma Copa do Mundo em meio a um processo intenso de urbanização e modernização. Era um Brasil novo que se desenhava, despertando fantasias. Mas infelizmente elas não se completaram. As massas que o Maracanã procurou integrar acabaram se amontoando nas periferias urbanas, privadas dos frutos do desenvolvimento.
Nesse sentido, concordo com o José Geraldo Couto, quando ele diz que não haverá modernização no país sem a integração das massas ao processo de crescimento econômico e de bem-estar.
A geral, porém, é preciso reconhecer, era um espaço desconfortável e subalterno. Se já não permitia uma visão razoável do jogo, com as placas de publicidade tornou-se impossível ver dali o que se passava em campo.
O Maracanã precisa, sim, ser reestruturado. Há espaços ociosos e muito mal equacionados. Mesmo as cadeiras localizadas embaixo das arquibancadas, que eram destinadas a um público de maior poder aquisitivo, são péssimas para ver o espetáculo.
Considero, portanto, que a reforma deva ser feita, embora só a aprove se realmente destinar setores para o chamado "povão", que não pode ser simplesmente banido dos estádios e privado de ver seus artistas em campo.
Real e Barça
Disse eu, numa provocação ao jornalista Clóvis Rossi, inveterado palmeirense e torcedor do Barça, que o Real Madrid levaria o título espanhol. Ele riu e rebateu: quer apostar? Amarelei. É difícil empenhar uma latinha de guaraná que seja nessa contenda. Mas a virada do Madrid contra o Villarreal foi convincente. O playboy David Beckham fez um partidaço. Zidane idem. Criou uma belíssima jogada para Ronaldo marcar de cabeça. E nosso Fenômeno deu sinais de que a má fase vai ficando para trás. Fez um gol, deu um passe para o outro e deixou Beckham na cara do goleiro, numa das poucas jogadas em que o inglês não foi perfeito. Mas o Barça vacilou menos do que o eterno rival e, salvo uma catástrofe, leva a taça.